Vacinação contra Covid-19 nos EUA enfrenta atrasos e fica abaixo da meta para 2020

Com objetivo inicial de imunizar 20 milhões de pessoas no mês, país tem cerca de 2,8 milhões de vacinados e 12,4 milhões de doses distribuídas. Conselheiro científico da operação de vacinação confirma que os números estão abaixo do esperado. Nova variante do coronavírus já apareceu em ao menos 2 estados. Enfermeira Sandra Lindsay recebeu nesta segunda-feira (14) dose da vacina da Pfizer em hospital de Long Island, no estado de Nova York Mark Lennihan/Pool via Reuters Autoridades americanas reconheceram que a vacinação contra a Covid-19 nos Estados Unidos enfrenta atrasos e que o país não vai alcançar a meta estabelecida para 2020 – que era vacinar 20 milhões de pessoas em dezembro. Até as 11h (horário de Brasília) de quarta-feira (30), cerca de 2,8 milhões de pessoas haviam sido vacinadas no país, e 12,4 milhões de doses de vacinas haviam sido distribuídas. Os dados são os mais recentes disponíveis no site do Centro de Controle de Doenças americano (CDC, na sigla em inglês). O número é uma estimativa para baixo por causa do atraso das notificações. Funcionário de centro médico nos EUA é demitido após deixar vacinas contra Covid-19 intencionalmente fora de refrigeração Na quarta-feira (30), o conselheiro científico da operação de vacinação do país, Moncef Slaoui, confirmou que o número de vacinados está abaixo do esperado. "Nós sabemos que deveria ser melhor, e estamos trabalhando duro para torná-lo melhor", declarou. A operação de vacinação, chamada de Warp Speed, tem como meta produzir e distribuir 300 milhões de doses de vacinas nos Estados Unidos até janeiro. Aplicação lenta Os Estados Unidos têm duas vacinas aprovadas contra a Covid-19. A primeira foi a da farmacêutica Pfizer, aprovada no dia 13 e que começou a ser aplicada no dia 14. A segunda vacina aprovada foi a da Moderna, no dia 19. O início da distribuição foi no dia seguinte. O líder de logística da Warp Speed, o general Gustave Perna, disse que o CDC ainda está reunindo dados para entender a aplicação lenta das vacinas distribuídas. Ele apontou para alguns fatores possíveis, como o recesso do fim do ano e o inverno. Além disso, hospitais e outros centros de aplicação ainda estão aprendendo a armazenar as vacinas em temperaturas muito baixas e aplicá-las da maneira correta, acrescentou Perna, segundo o jornal americano "The New York Times". Tanto a vacina da Pfizer como a da Moderna usam a tecnologia de mRNA (veja vídeo abaixo) para induzir a resposta imune do corpo. Ambas precisam ser mantidas em temperaturas muito baixas: a da Moderna, a -20ºC, e a da Pfizer, a -70ºC. O fator é apontado como um problema por especialistas. Vacina da Pfizer contra Covid usa tecnologia chamada de RNA mensageiro; veja como funciona Por último, o general apontou que muitos estados estão reservando doses para serem dadas em locais de longa permanência, como casas de repouso – um processo que deve durar meses. Tanto Slaoui como Perna esperam que o ritmo de aplicação aumente quando as farmácias começarem a aplicar as vacinas. Nova variante em dois estados Colorado registra primeiro caso de variante do coronavírus identificada no Reino Unido Na quarta-feira (30), os Estados Unidos confirmaram o segundo caso de uma nova variante do coronavírus, na Califórnia. O primeiro caso havia sido detectado no Colorado. A variante, que foi registrada pela primeira vez no Reino Unido, é chamada de B.1.1.7 e já foi vista em pelo menos outros 17 países, inclusive no Brasil. Ela tem mutações que afetam a maneira como o vírus se fixa nas células humanas, e cientistas estimam que seja 56% mais contagiosa que as outras. (Não há, entretanto, evidências de que a variante provoque casos mais graves ou que mate mais, nem mesmo que seja resistente às vacinas). "O cenário geral é bastante grave", afirmou Bill Hanage, epidemiologista da Escola de Saúde Pública de Harvard, ao "The New York Times". Cientistas americanos temem que, com o surgimento da variante em solo americano, a epidemia por lá fique ainda mais difícil de controlar. Nesse cenário, vacinar as pessoas o mais rápido possível se torna ainda mais urgente. Os EUA são o país com maior número de casos e mortes pela Covid-19 no mundo, com mais de 342 mil óbitos e quase 20 milhões de casos, segundo monitoramento da Universidade Johns Hopkins. "Em lugares como os Estados Unidos e o Reino Unido, onde o sistema de saúde já está no limite, um aumento enorme de novos casos além do contágio exponencial que já estamos vendo vai ser muito, muito ruim", disse ao "The New York Times" a virologista Angela Rasmussen, da Universidade Georgetown. "Não só isso vai potencialmente aumentar o número de mortes por Covid, também vai aumentar o número de mortes por outras causas", afirmou. Veja VÍDEOS com novidades sobre a vacina contra a Covid-19:

Vacinação contra Covid-19 nos EUA enfrenta atrasos e fica abaixo da meta para 2020

Com objetivo inicial de imunizar 20 milhões de pessoas no mês, país tem cerca de 2,8 milhões de vacinados e 12,4 milhões de doses distribuídas. Conselheiro científico da operação de vacinação confirma que os números estão abaixo do esperado. Nova variante do coronavírus já apareceu em ao menos 2 estados. Enfermeira Sandra Lindsay recebeu nesta segunda-feira (14) dose da vacina da Pfizer em hospital de Long Island, no estado de Nova York Mark Lennihan/Pool via Reuters Autoridades americanas reconheceram que a vacinação contra a Covid-19 nos Estados Unidos enfrenta atrasos e que o país não vai alcançar a meta estabelecida para 2020 – que era vacinar 20 milhões de pessoas em dezembro. Até as 11h (horário de Brasília) de quarta-feira (30), cerca de 2,8 milhões de pessoas haviam sido vacinadas no país, e 12,4 milhões de doses de vacinas haviam sido distribuídas. Os dados são os mais recentes disponíveis no site do Centro de Controle de Doenças americano (CDC, na sigla em inglês). O número é uma estimativa para baixo por causa do atraso das notificações. Funcionário de centro médico nos EUA é demitido após deixar vacinas contra Covid-19 intencionalmente fora de refrigeração Na quarta-feira (30), o conselheiro científico da operação de vacinação do país, Moncef Slaoui, confirmou que o número de vacinados está abaixo do esperado. "Nós sabemos que deveria ser melhor, e estamos trabalhando duro para torná-lo melhor", declarou. A operação de vacinação, chamada de Warp Speed, tem como meta produzir e distribuir 300 milhões de doses de vacinas nos Estados Unidos até janeiro. Aplicação lenta Os Estados Unidos têm duas vacinas aprovadas contra a Covid-19. A primeira foi a da farmacêutica Pfizer, aprovada no dia 13 e que começou a ser aplicada no dia 14. A segunda vacina aprovada foi a da Moderna, no dia 19. O início da distribuição foi no dia seguinte. O líder de logística da Warp Speed, o general Gustave Perna, disse que o CDC ainda está reunindo dados para entender a aplicação lenta das vacinas distribuídas. Ele apontou para alguns fatores possíveis, como o recesso do fim do ano e o inverno. Além disso, hospitais e outros centros de aplicação ainda estão aprendendo a armazenar as vacinas em temperaturas muito baixas e aplicá-las da maneira correta, acrescentou Perna, segundo o jornal americano "The New York Times". Tanto a vacina da Pfizer como a da Moderna usam a tecnologia de mRNA (veja vídeo abaixo) para induzir a resposta imune do corpo. Ambas precisam ser mantidas em temperaturas muito baixas: a da Moderna, a -20ºC, e a da Pfizer, a -70ºC. O fator é apontado como um problema por especialistas. Vacina da Pfizer contra Covid usa tecnologia chamada de RNA mensageiro; veja como funciona Por último, o general apontou que muitos estados estão reservando doses para serem dadas em locais de longa permanência, como casas de repouso – um processo que deve durar meses. Tanto Slaoui como Perna esperam que o ritmo de aplicação aumente quando as farmácias começarem a aplicar as vacinas. Nova variante em dois estados Colorado registra primeiro caso de variante do coronavírus identificada no Reino Unido Na quarta-feira (30), os Estados Unidos confirmaram o segundo caso de uma nova variante do coronavírus, na Califórnia. O primeiro caso havia sido detectado no Colorado. A variante, que foi registrada pela primeira vez no Reino Unido, é chamada de B.1.1.7 e já foi vista em pelo menos outros 17 países, inclusive no Brasil. Ela tem mutações que afetam a maneira como o vírus se fixa nas células humanas, e cientistas estimam que seja 56% mais contagiosa que as outras. (Não há, entretanto, evidências de que a variante provoque casos mais graves ou que mate mais, nem mesmo que seja resistente às vacinas). "O cenário geral é bastante grave", afirmou Bill Hanage, epidemiologista da Escola de Saúde Pública de Harvard, ao "The New York Times". Cientistas americanos temem que, com o surgimento da variante em solo americano, a epidemia por lá fique ainda mais difícil de controlar. Nesse cenário, vacinar as pessoas o mais rápido possível se torna ainda mais urgente. Os EUA são o país com maior número de casos e mortes pela Covid-19 no mundo, com mais de 342 mil óbitos e quase 20 milhões de casos, segundo monitoramento da Universidade Johns Hopkins. "Em lugares como os Estados Unidos e o Reino Unido, onde o sistema de saúde já está no limite, um aumento enorme de novos casos além do contágio exponencial que já estamos vendo vai ser muito, muito ruim", disse ao "The New York Times" a virologista Angela Rasmussen, da Universidade Georgetown. "Não só isso vai potencialmente aumentar o número de mortes por Covid, também vai aumentar o número de mortes por outras causas", afirmou. Veja VÍDEOS com novidades sobre a vacina contra a Covid-19: