SUS deve avaliar incorporação de coquetel anticovid, diz ministro

SUS deve avaliar incorporação de coquetel anticovid, diz ministro
Queiroga afirma que disponibilidade orçamentária também será levada em conta
Queiroga afirma que disponibilidade orçamentária também será levada em conta CLÁUDIO MARQUES/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que caberá à Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) avaliar a eventual incorporação do coquetel contra covid-19 autorizado nesta terça-feira (20) pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

"Naturalmente, há uma determinação do presidente da República para todas as inovações serem analisadas pelo setor competente, que é a Conitec. Vale dizer que é um registro emergencial, é necessário se avaliar a questão da segurança, da eficácia, da efetividade, critérios para a incorporação de medicamentos no Sistema Único de Saúde", afirmou.

Para Queiroga, também será necessário definir o "impacto orçamentário" da inclusão de um novo medicamento no SUS.

"Tem que se analisar o contexto geral dessas incorporações", frisou.

Com a autorização de uso emergencial expedida, caberá à CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos) definir o preço do coquetel desenvolvido pela Regeneron, que é comercializado pela farmacêutica Roche.

Nos Estados Unidos, onde já é usado desde o ano passado, estima-se que o medicamento custe entre US$ 1.500 e US$ 6.500 (R$ 8.300 e R$ 35.900), segundo a emissora de TV CBS.

Trata-se dos anticorpos monoclonais casirivimabe e imdevimabe que devem ser administrados juntos por via endovenosa em dose única, sempre em ambiente hospitalar. A Anvisa proibiu a venda em farmácias.

A autorização também determinou exatamente quem são as pessoas que podem receber o coquetel: adultos e pacientes pediátricos acima de 12 anos, com pelo menos 40 kg, que não necessitem de suporte ventilatório e que tenham alto risco de desenvolver forma grave da doença.

O critério de risco é estabelecido a partir de doenças pré-existentes, como diabetes, hipertensão, doença pulmonar crônica, entre outras.

De acordo com o gerente-geral de Medicamentos e Produtos Biológicos da Anivsa, Gustavo Mendes, o Reng-CoV2 apresentou uma redução substancial no número de pacientes hospitalizados e de mortes no caso de infectados sintomáticos e com comorbidade.

A combinação de drogas também apresentou uma diminuição da carga viral significativa dos doentes.

Em outubro do ano passado, o então presidente dos Estados Unidos Donald Trump recebeu o coquetel da Regeneron durante sua internação com covid-19. Ele também tomou o antiviral remdesivir, autorizado para uso emergencial pela Anvisa no mês passado.