Presos no Jacarezinho relatam socos, chutes, pisões e golpes com fuzil por policiais, diz MP

MPRJ investiga se houve abuso na operação policial do Jacarezinho. Relatório da polícia detalha ficha de 25 dos 27 mortos no Jacarezinho - 12 têm passagens por tráfico, e outros 12, por outros crimes. Ministério Público investiga se houve abuso na operação policial do Jacarezinho O Ministério Público do Rio (MPRJ) investiga se houve abuso na operação que terminou com 28 mortos, no Jacarezinho, na Zona Norte do Rio, entre eles o policial civil André Farias, de 48 anos. O MPRJ já começou a ouvir parentes e testemunhas para saber se houve excesso das forças de segurança. Três presos na ação já disseram em audiência de custódia que foram agredidos por policiais. Patrick Marcelo da Silva Francisco e Max Arthur Vasconcellos de Souza disseram que foram agredidos pelos policiais civis com socos, chutes, pisões e golpes de fuzis. Eles falaram ainda que as agressões teriam deixado marcas em seus corpos. O preso Vinícius Pereira da Silva também disse ter sido agredido com socos e chutes pelos policiais. O RJ2 teve acesso ao resultado do exame de corpo de delito feito por ele. No documento, há fotos do olho inchado e de um ferimento na coxa de Vinicius. Em resposta à pergunta do investigador se há vestígios de lesão à integridade corporal ou à saúde da pessoa examinada com possíveis relações ao fato narrado pelo preso, o legista respondeu que “sim”. Veja lista de mortos no Jacarezinho Relatório da polícia detalha fichas de 25 dos 27 mortos no Jacarezinho Lista de mortos no Jacarezinho: 25 tinham ficha criminal e há provas contra os outros 2, diz polícia Presos no Jacarezinho dizem que foram agredidos por policiais após serem detidos Relatório detalha fichas de 25 dos 27 mortos Um relatório da Subsecretaria de Inteligência (SSinte) da Polícia Civil do Rio detalhas as fichas criminais dos mortos e aponta que só dois suspeitos não tinham anotações criminais. Na semana passada, ao divulgar informações sobre a operação, a polícia disse que todos os mortos na operação, que é considerada a mais letal da história do estado, tinham antecedentes criminais e que entraram em confronto com os agentes. Nesta segunda-feira (10), o RJ2 mostrou o relatório com as fichas criminais dos baleados - dos 27 mortos, 25 tinham passagens pela polícia. Detalhamento de supostos crimes O documento aponta que 12 deles tinham envolvimento com o tráfico de drogas no Jacarezinho; Outros 12 tinham registros por outros crimes, como posse e uso de drogas, furto, roubo, porte ilegal de armas, ameaça e lesão corporal. Um foi fichado por desacato; Dos 12 mortos sem denúncia de envolvimento com o tráfico, a polícia afirma que, em três casos, parentes confirmaram em depoimento a ligação deles com facções criminosas; No caso dos outros nove, a polícia justificou o envolvimento deles com o tráfico a partir de fotos e mensagens publicadas em redes sociais; Em relação aos dois sem antecedentes criminais, a polícia afirmou que eles tinham envolvimento com o tráfico confirmado em depoimento por parentes. Um deles era menor de idade; O relatório traz, ainda, fotos dos mortos retiradas de redes sociais. Em muitas, eles aparecem portando armas. Em outras, não. Depoimento O relatório não fala como as 27 pessoas foram mortas. Em um dos casos, em depoimento à polícia, uma parente relata o que diz ter visto o que aconteceu com Francisco Fábio Araújo Chaves dentro da comunidade. A mulher contou que ele saiu de casa informando que iria até a boca comprar maconha e que às 8h15 avisou por telefone que tinha fugido pra uma casa com os traficantes depois que a polícia chegou e houve troca de tiros. Segundo a mulher, ele contou que estava ferido com um tiro na mão e por estilhaços no pé. A mulher diz que foi até a casa em que ele estava e viu dois corpos e dois presos vivos, um deles Francisco, que foi colocado no interior do caveirão, como é chamado o blindado da polícia, e percebeu que ele apresentava apenas ferimentos na mão. O relatório não mostra o fim do depoimento da mulher. Três citados em denúncia Também no documento, dos 27 mortos, só três eram citados na denúncia oferecida pelo Ministério Público, que orientou a Justiça nos mandados de prisão e motivou a polícia a entrar na favela. Anotações criminais de mortos no Jacarezinho Reprodução/TV Globo O pesquisador do Núcleo de Justiça Racial da Fundação Getúlio Vargas - São Paulo, Felipe da Silva Freitas, afirmou que "a eventual participação das pessoas no crime não autoriza qualquer tipo de ação estatal em face de execução". "A operação realizada no Jacarezinho foi, na prática, uma execução. Foi uma operação não justificada sob qualquer critério técnico", disse. O Instituto Médico Legal terminou a necropsia dos corpos. Initial plugin text

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MPRJ investiga se houve abuso na operação policial do Jacarezinho. Relatório da polícia detalha ficha de 25 dos 27 mortos no Jacarezinho - 12 têm passagens por tráfico, e outros 12, por outros crimes. Ministério Público investiga se houve abuso na operação policial do Jacarezinho O Ministério Público do Rio (MPRJ) investiga se houve abuso na operação que terminou com 28 mortos, no Jacarezinho, na Zona Norte do Rio, entre eles o policial civil André Farias, de 48 anos. O MPRJ já começou a ouvir parentes e testemunhas para saber se houve excesso das forças de segurança. Três presos na ação já disseram em audiência de custódia que foram agredidos por policiais. Patrick Marcelo da Silva Francisco e Max Arthur Vasconcellos de Souza disseram que foram agredidos pelos policiais civis com socos, chutes, pisões e golpes de fuzis. Eles falaram ainda que as agressões teriam deixado marcas em seus corpos. O preso Vinícius Pereira da Silva também disse ter sido agredido com socos e chutes pelos policiais. O RJ2 teve acesso ao resultado do exame de corpo de delito feito por ele. No documento, há fotos do olho inchado e de um ferimento na coxa de Vinicius. Em resposta à pergunta do investigador se há vestígios de lesão à integridade corporal ou à saúde da pessoa examinada com possíveis relações ao fato narrado pelo preso, o legista respondeu que “sim”. Veja lista de mortos no Jacarezinho Relatório da polícia detalha fichas de 25 dos 27 mortos no Jacarezinho Lista de mortos no Jacarezinho: 25 tinham ficha criminal e há provas contra os outros 2, diz polícia Presos no Jacarezinho dizem que foram agredidos por policiais após serem detidos Relatório detalha fichas de 25 dos 27 mortos Um relatório da Subsecretaria de Inteligência (SSinte) da Polícia Civil do Rio detalhas as fichas criminais dos mortos e aponta que só dois suspeitos não tinham anotações criminais. Na semana passada, ao divulgar informações sobre a operação, a polícia disse que todos os mortos na operação, que é considerada a mais letal da história do estado, tinham antecedentes criminais e que entraram em confronto com os agentes. Nesta segunda-feira (10), o RJ2 mostrou o relatório com as fichas criminais dos baleados - dos 27 mortos, 25 tinham passagens pela polícia. Detalhamento de supostos crimes O documento aponta que 12 deles tinham envolvimento com o tráfico de drogas no Jacarezinho; Outros 12 tinham registros por outros crimes, como posse e uso de drogas, furto, roubo, porte ilegal de armas, ameaça e lesão corporal. Um foi fichado por desacato; Dos 12 mortos sem denúncia de envolvimento com o tráfico, a polícia afirma que, em três casos, parentes confirmaram em depoimento a ligação deles com facções criminosas; No caso dos outros nove, a polícia justificou o envolvimento deles com o tráfico a partir de fotos e mensagens publicadas em redes sociais; Em relação aos dois sem antecedentes criminais, a polícia afirmou que eles tinham envolvimento com o tráfico confirmado em depoimento por parentes. Um deles era menor de idade; O relatório traz, ainda, fotos dos mortos retiradas de redes sociais. Em muitas, eles aparecem portando armas. Em outras, não. Depoimento O relatório não fala como as 27 pessoas foram mortas. Em um dos casos, em depoimento à polícia, uma parente relata o que diz ter visto o que aconteceu com Francisco Fábio Araújo Chaves dentro da comunidade. A mulher contou que ele saiu de casa informando que iria até a boca comprar maconha e que às 8h15 avisou por telefone que tinha fugido pra uma casa com os traficantes depois que a polícia chegou e houve troca de tiros. Segundo a mulher, ele contou que estava ferido com um tiro na mão e por estilhaços no pé. A mulher diz que foi até a casa em que ele estava e viu dois corpos e dois presos vivos, um deles Francisco, que foi colocado no interior do caveirão, como é chamado o blindado da polícia, e percebeu que ele apresentava apenas ferimentos na mão. O relatório não mostra o fim do depoimento da mulher. Três citados em denúncia Também no documento, dos 27 mortos, só três eram citados na denúncia oferecida pelo Ministério Público, que orientou a Justiça nos mandados de prisão e motivou a polícia a entrar na favela. Anotações criminais de mortos no Jacarezinho Reprodução/TV Globo O pesquisador do Núcleo de Justiça Racial da Fundação Getúlio Vargas - São Paulo, Felipe da Silva Freitas, afirmou que "a eventual participação das pessoas no crime não autoriza qualquer tipo de ação estatal em face de execução". "A operação realizada no Jacarezinho foi, na prática, uma execução. Foi uma operação não justificada sob qualquer critério técnico", disse. O Instituto Médico Legal terminou a necropsia dos corpos. Initial plugin text