No esporte, a cartilha para a superação

“Não deixei que minhas limitações físicas me impedissem de fazer o que queria”, diz Rodrigo Motta, criador do Instituto Camaradas Incansáveis Em 2018, Rodrigo Guimarães Motta tinha 49 anos e participava de um campeonato de judô para veteranos. Estar naquela competição já era uma proeza, porque uma lesão seriíssima o obrigara a se submeter a 12 cirurgias antes de voltar a treinar e lutar. No entanto, uma forte dor de cabeça, acompanhada de tontura, era um alerta: tratava-se de um AVC (acidente vascular cerebral), seguido dias depois por um outro derrame. Sem memória, equilíbrio e com o campo visual do lado esquerdo comprometido, parecia ter sido abandonado pelos deuses da sorte, mas decidiu desafiar os prognósticos sombrios. Motta no tatame: esporte foi fundamental para superar reveses e limitações Acervo pessoal Em junho, Motta, faixa vermelha e branca 6 DAN, vai completar 52 anos. Recuperou-se dos AVCs e, em2019, participou da Copa Paulo Leite, em São Luís. Em outubro de 2020, defendeu sua tese de doutorado e começa 2021 dando aulas no Instituto Germinare, escola cujo objetivo é formar líderes e gestores de negócios. Corre habitualmente dez quilômetros e, num treino no tatame, afirma que é capaz de dar muito trabalho a um oponente décadas mais jovem. “Tenho cicatrizes de guerra, mas não deixei que minhas limitações físicas me impedissem de fazer o que queria. Sei que posso ir mais longe”, enfatiza. Ele foi executivo de vendas, empresário, consultor. Mas, acima de tudo, a disposição para a luta parece ter sido forjada na prática do esporte. Depois da natação e do polo aquático, foi no judô que se encontrou, tendo como mestre Chiaki Ishii, o primeiro judoca a ganhar uma medalha olímpica para o Brasil. Enquanto cursava administração na FGV-SP, foi um dos criadores da Economíadas, as olimpíadas das oito principais escolas de Economia e Administração de São Paulo. Rodrigo Motta: criador do Instituto Camaradas Incansáveis Divulgação “Desde 2006, estou mergulhado na questão do papel do esporte para o desenvolvimento do indivíduo”, diz. A Teoria do Esportismo, que desenvolveu com o médico Wagner Castropil, defende que esta é uma ferramenta exemplar para dominar cinco competências: atitude, visão, estratégia, execução e trabalho em equipe. Juntos, escreveram “Esportismo: valores do esporte para o alto desempenho pessoal”, e Motta aplicou a metodologia para melhorar o desempenho de equipes de vendas, criando faixas (como no judô) e premiações. Mas é no Instituto Camaradas Incansáveis, ONG criada há cinco anos com os amigos Bahjet Hayek e Cristian Cezário – que conheceu no Mundial de veteranos em Miami, em 2012 – que o trio vê se materializar seus ideais. Ali treinam 80 atletas e são atendidas 170 crianças carentes. Entre os pilares da entidade, foco na alimentação equilibrada e no sono de qualidade para, junto com o exercício, alcançar uma longevidade saudável. A receita tem outros ingredientes: estar sempre aberto para aprender coisas novas e ter o que Motta chama de “mente de campeão”: “todos nós vamos perder em algum momento da vida, mas não podemos nos abater”, ensina. A trajetória desses companheiros foi retratada no livro “Os incansáveis”, de Sérgio Xavier Filho (Editora Contexto). Para quem acha que não tem condições de começar a se mexer, ele aconselha: “faça uma avaliação médica, procure um nutricionista e um educador físico. Com um bom diagnóstico da situação, é possível criar um plano adequado para dar os primeiros passos sem ultrapassar limites. Na vida, muitas vezes é preciso ter calma para ir depressa”.

No esporte, a cartilha para a superação

“Não deixei que minhas limitações físicas me impedissem de fazer o que queria”, diz Rodrigo Motta, criador do Instituto Camaradas Incansáveis Em 2018, Rodrigo Guimarães Motta tinha 49 anos e participava de um campeonato de judô para veteranos. Estar naquela competição já era uma proeza, porque uma lesão seriíssima o obrigara a se submeter a 12 cirurgias antes de voltar a treinar e lutar. No entanto, uma forte dor de cabeça, acompanhada de tontura, era um alerta: tratava-se de um AVC (acidente vascular cerebral), seguido dias depois por um outro derrame. Sem memória, equilíbrio e com o campo visual do lado esquerdo comprometido, parecia ter sido abandonado pelos deuses da sorte, mas decidiu desafiar os prognósticos sombrios. Motta no tatame: esporte foi fundamental para superar reveses e limitações Acervo pessoal Em junho, Motta, faixa vermelha e branca 6 DAN, vai completar 52 anos. Recuperou-se dos AVCs e, em2019, participou da Copa Paulo Leite, em São Luís. Em outubro de 2020, defendeu sua tese de doutorado e começa 2021 dando aulas no Instituto Germinare, escola cujo objetivo é formar líderes e gestores de negócios. Corre habitualmente dez quilômetros e, num treino no tatame, afirma que é capaz de dar muito trabalho a um oponente décadas mais jovem. “Tenho cicatrizes de guerra, mas não deixei que minhas limitações físicas me impedissem de fazer o que queria. Sei que posso ir mais longe”, enfatiza. Ele foi executivo de vendas, empresário, consultor. Mas, acima de tudo, a disposição para a luta parece ter sido forjada na prática do esporte. Depois da natação e do polo aquático, foi no judô que se encontrou, tendo como mestre Chiaki Ishii, o primeiro judoca a ganhar uma medalha olímpica para o Brasil. Enquanto cursava administração na FGV-SP, foi um dos criadores da Economíadas, as olimpíadas das oito principais escolas de Economia e Administração de São Paulo. Rodrigo Motta: criador do Instituto Camaradas Incansáveis Divulgação “Desde 2006, estou mergulhado na questão do papel do esporte para o desenvolvimento do indivíduo”, diz. A Teoria do Esportismo, que desenvolveu com o médico Wagner Castropil, defende que esta é uma ferramenta exemplar para dominar cinco competências: atitude, visão, estratégia, execução e trabalho em equipe. Juntos, escreveram “Esportismo: valores do esporte para o alto desempenho pessoal”, e Motta aplicou a metodologia para melhorar o desempenho de equipes de vendas, criando faixas (como no judô) e premiações. Mas é no Instituto Camaradas Incansáveis, ONG criada há cinco anos com os amigos Bahjet Hayek e Cristian Cezário – que conheceu no Mundial de veteranos em Miami, em 2012 – que o trio vê se materializar seus ideais. Ali treinam 80 atletas e são atendidas 170 crianças carentes. Entre os pilares da entidade, foco na alimentação equilibrada e no sono de qualidade para, junto com o exercício, alcançar uma longevidade saudável. A receita tem outros ingredientes: estar sempre aberto para aprender coisas novas e ter o que Motta chama de “mente de campeão”: “todos nós vamos perder em algum momento da vida, mas não podemos nos abater”, ensina. A trajetória desses companheiros foi retratada no livro “Os incansáveis”, de Sérgio Xavier Filho (Editora Contexto). Para quem acha que não tem condições de começar a se mexer, ele aconselha: “faça uma avaliação médica, procure um nutricionista e um educador físico. Com um bom diagnóstico da situação, é possível criar um plano adequado para dar os primeiros passos sem ultrapassar limites. Na vida, muitas vezes é preciso ter calma para ir depressa”.