'Falta de ar com sensação de morte', diz mulher que foi internada com marido e sogra por Covid-19

Mãe, filho e nora ficaram internados no Hospital São Vicente, em Jundiaí (SP), e se comunicavam por vídeos feitos pela enfermeira. Sueli de Almeida Borges teve alta e acompanha a evolução do marido e a sogra no hospital. Família foi internada no mesmo hospital em Jundiaí; Sueli (à direita) se recupera em casa Arquivo pessoal A professora Sueli de Almeida Borges, 60 anos, foi a primeira da família a dar entrada e a sair do leito de Covid-19, no hospital São Vicente, em Jundiaí (SP). O marido dela e a sogra, de 84 anos, permanecem internados. A família ficou conhecida por se comunicar por pequenos vídeos gravados pela enfermeira em uma estratégia de aproximá-los em um momento sem contato. Ao G1, ela conta que se recupera em casa e ainda é monitorada pelo médicos por conta do cansaço. No entanto, aguarda a alta do marido Roberto Carlos, 55 anos, que foi o segundo a dar entrada na unidade, no dia 1º de março, e de Maria Luiza Carmesini, também hospitalizada e que segue com o tratamento. "É uma falta de ar dolorida com a sensação de morte. Se as pessoas soubessem disso, todo mundo ia ficar em casa. Tenho asma e bronquite", aconselha. Segundo ela, a forma de contágio dos parentes é uma incógnita. A rotina de todos seguia com aplicação de álcool e saídas limitadas ao mercado. “Em casa, a primeira coisa era tirar a roupa, o sapato e não abusando com nada. Não poderia ver os filhos, os pais e nada.” O marido precisou ser internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no fim de semana e foi encaminhado para o quarto, na terça-feira. A sogra deve ter alta nesta quarta-feira (10) e irá precisar de um cilindro de oxigênio em casa. Tão perto, tão longe Desde o início da pandemia, o hospital São Vicente criou o Programa de Comunicação com o Familiar, que estabeleceu uma rotina de contato para passar informações dos pacientes aos parentes. No entanto, os médicos se depararam com uma situação diferente no caso de Sueli: mãe, filho e nora precisaram de internação. Como os pacientes não ficam com celulares, uma enfermeira decidiu gravar pequenos relatos deles e mostrar um para o outro. Internada em hospital, família se comunica com vídeos gravados por enfermeira “Vai dar tudo certo, beijão. Fico preocupada com a dor de cabeça, que não passa. Se Deus quiser, vai dar tudo certo, lindão”, disse Maria Luiza ao filho. O vídeo foi mostrado para Roberto antes da piora. Ele também gravou para a mãe e para a esposa. "Tô joia, as meninas são um amor aqui. A dor de cabeça é da gripe, mas já está passando. Tô bonzão. Amo a senhora. Daqui a pouco estamos juntos", contou para a mãe. Em seguida, ele fez um registro para a esposa, que estava em outro quarto. "Oi, amor, eu te amo tanto. Tanta saudade de você. A gente vai sair dessa junto”, respondeu a esposa. Uma filha do casal também sentiu os sintomas, mas não precisou de internação. O caso da família foi mostrado no Fantástico (veja abaixo). ‘Não tenho ar’: áudios revelam desespero dos brasileiros na semana mais letal da pandemia; OUÇA Veja mais notícias da região no G1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: veja mais reportagens da região

'Falta de ar com sensação de morte', diz mulher que foi internada com marido e sogra por Covid-19

Mãe, filho e nora ficaram internados no Hospital São Vicente, em Jundiaí (SP), e se comunicavam por vídeos feitos pela enfermeira. Sueli de Almeida Borges teve alta e acompanha a evolução do marido e a sogra no hospital. Família foi internada no mesmo hospital em Jundiaí; Sueli (à direita) se recupera em casa Arquivo pessoal A professora Sueli de Almeida Borges, 60 anos, foi a primeira da família a dar entrada e a sair do leito de Covid-19, no hospital São Vicente, em Jundiaí (SP). O marido dela e a sogra, de 84 anos, permanecem internados. A família ficou conhecida por se comunicar por pequenos vídeos gravados pela enfermeira em uma estratégia de aproximá-los em um momento sem contato. Ao G1, ela conta que se recupera em casa e ainda é monitorada pelo médicos por conta do cansaço. No entanto, aguarda a alta do marido Roberto Carlos, 55 anos, que foi o segundo a dar entrada na unidade, no dia 1º de março, e de Maria Luiza Carmesini, também hospitalizada e que segue com o tratamento. "É uma falta de ar dolorida com a sensação de morte. Se as pessoas soubessem disso, todo mundo ia ficar em casa. Tenho asma e bronquite", aconselha. Segundo ela, a forma de contágio dos parentes é uma incógnita. A rotina de todos seguia com aplicação de álcool e saídas limitadas ao mercado. “Em casa, a primeira coisa era tirar a roupa, o sapato e não abusando com nada. Não poderia ver os filhos, os pais e nada.” O marido precisou ser internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no fim de semana e foi encaminhado para o quarto, na terça-feira. A sogra deve ter alta nesta quarta-feira (10) e irá precisar de um cilindro de oxigênio em casa. Tão perto, tão longe Desde o início da pandemia, o hospital São Vicente criou o Programa de Comunicação com o Familiar, que estabeleceu uma rotina de contato para passar informações dos pacientes aos parentes. No entanto, os médicos se depararam com uma situação diferente no caso de Sueli: mãe, filho e nora precisaram de internação. Como os pacientes não ficam com celulares, uma enfermeira decidiu gravar pequenos relatos deles e mostrar um para o outro. Internada em hospital, família se comunica com vídeos gravados por enfermeira “Vai dar tudo certo, beijão. Fico preocupada com a dor de cabeça, que não passa. Se Deus quiser, vai dar tudo certo, lindão”, disse Maria Luiza ao filho. O vídeo foi mostrado para Roberto antes da piora. Ele também gravou para a mãe e para a esposa. "Tô joia, as meninas são um amor aqui. A dor de cabeça é da gripe, mas já está passando. Tô bonzão. Amo a senhora. Daqui a pouco estamos juntos", contou para a mãe. Em seguida, ele fez um registro para a esposa, que estava em outro quarto. "Oi, amor, eu te amo tanto. Tanta saudade de você. A gente vai sair dessa junto”, respondeu a esposa. Uma filha do casal também sentiu os sintomas, mas não precisou de internação. O caso da família foi mostrado no Fantástico (veja abaixo). ‘Não tenho ar’: áudios revelam desespero dos brasileiros na semana mais letal da pandemia; OUÇA Veja mais notícias da região no G1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: veja mais reportagens da região