Edifício-sede da Cruz Vermelha, no Centro do Rio, é tombado

Decisão do Iphan veio após o Ministério Público Federal propor uma ação civil pública apontando que esse e outras dezenas de processos de tombamento estavam parados no instituto. Depois de três décadas, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) enfim concluiu a primeira etapa do processo administrativo para tombar o edifício-sede da Cruz Vermelha, que fica na Praça da Cruz Vermelha, no Centro do Rio. A decisão administrativa foi adotada pelo Iphan após o Ministério Público Federal (MPF) propor uma ação civil pública na qual apontou que esse e outras dezenas de processos de tombamento estavam parados no instituto. O edifício-sede do Hospital da Cruz Vermelha foi projetado pelo arquiteto italiano Pedro Campofiorito (1875-1945) e construído entre 1919 e 1923. Edificado em estrutura autoportante mista (pedra e tijolo maciço), o prédio tem estilo eclético, segundo os padrões da arquitetura oficial assumida pela República, na época. No parecer técnico que concluiu pelo tombamento provisório do prédio, o Iphan registra que a Cruz Vermelha carrega em seu histórico "a luta pela garantia dos direitos humanos, no contexto de uma articulação internacional voltada ao estabelecimento de condições mínimas de humanidade diante das atrocidades que a sociedade foi capaz de criar". Além disso, ressalta que "o símbolo que representa esse esforço está esculpido no coroamento da cúpula da edificação, na própria cruz vermelha em fundo branco, o que estabelece uma capacidade de interpretação imediata com essa história". O parecer também aponta que "a qualidade arquitetônica, destacadamente, das fachadas, da volumetria e do hall do edifício-sede da Cruz Vermelha, mas por outro lado, a descaracterização de diversos espaços e materiais de revestimento que lhe retiraram a integridade arquitetônica internamente". Com o tombamento provisório, o Edifício Sede da Cruz Vermelha Brasileira passa a ter proteção federal, por meio do Iphan, contra quaisquer tipos de destruição, demolição ou mutilação. O prédio também não pode sofrer qualquer tipo de restauração ou modificação sem a prévia autorização especial do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Pedido de tombamento é de 1988 O pedido de tombamento do imóvel foi feito pelo então presidente da instituição em 26 de setembro de 1988, e só foi concluído agora, após a ação do MPF. Recentemente, o MPF entrou com quatro outras ações questionando também a demora na conclusão dos processos de tombamento dos seguintes bens no Rio: Parque Fonte da Saudade, Fazenda do Viegas, Mansão Figner e Instituto João Alves Afonso. O procurador da República Sergio Gardenghi Suiama, responsável pelas ações, aponta que há processos no Iphan aguardando conclusão há mais de 80 anos, caso do tombamento da Fazenda do Viegas, em Senador Camará, Zona Eeste da cidade. "Tal situação gera insegurança jurídica e deixa sem proteção federal bens integrantes do patrimônio histórico nacional, como é o caso do edifício sede da Cruz Vermelha", afirmou o procurador.

Edifício-sede da Cruz Vermelha, no Centro do Rio, é tombado
Decisão do Iphan veio após o Ministério Público Federal propor uma ação civil pública apontando que esse e outras dezenas de processos de tombamento estavam parados no instituto. Depois de três décadas, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) enfim concluiu a primeira etapa do processo administrativo para tombar o edifício-sede da Cruz Vermelha, que fica na Praça da Cruz Vermelha, no Centro do Rio. A decisão administrativa foi adotada pelo Iphan após o Ministério Público Federal (MPF) propor uma ação civil pública na qual apontou que esse e outras dezenas de processos de tombamento estavam parados no instituto. O edifício-sede do Hospital da Cruz Vermelha foi projetado pelo arquiteto italiano Pedro Campofiorito (1875-1945) e construído entre 1919 e 1923. Edificado em estrutura autoportante mista (pedra e tijolo maciço), o prédio tem estilo eclético, segundo os padrões da arquitetura oficial assumida pela República, na época. No parecer técnico que concluiu pelo tombamento provisório do prédio, o Iphan registra que a Cruz Vermelha carrega em seu histórico "a luta pela garantia dos direitos humanos, no contexto de uma articulação internacional voltada ao estabelecimento de condições mínimas de humanidade diante das atrocidades que a sociedade foi capaz de criar". Além disso, ressalta que "o símbolo que representa esse esforço está esculpido no coroamento da cúpula da edificação, na própria cruz vermelha em fundo branco, o que estabelece uma capacidade de interpretação imediata com essa história". O parecer também aponta que "a qualidade arquitetônica, destacadamente, das fachadas, da volumetria e do hall do edifício-sede da Cruz Vermelha, mas por outro lado, a descaracterização de diversos espaços e materiais de revestimento que lhe retiraram a integridade arquitetônica internamente". Com o tombamento provisório, o Edifício Sede da Cruz Vermelha Brasileira passa a ter proteção federal, por meio do Iphan, contra quaisquer tipos de destruição, demolição ou mutilação. O prédio também não pode sofrer qualquer tipo de restauração ou modificação sem a prévia autorização especial do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Pedido de tombamento é de 1988 O pedido de tombamento do imóvel foi feito pelo então presidente da instituição em 26 de setembro de 1988, e só foi concluído agora, após a ação do MPF. Recentemente, o MPF entrou com quatro outras ações questionando também a demora na conclusão dos processos de tombamento dos seguintes bens no Rio: Parque Fonte da Saudade, Fazenda do Viegas, Mansão Figner e Instituto João Alves Afonso. O procurador da República Sergio Gardenghi Suiama, responsável pelas ações, aponta que há processos no Iphan aguardando conclusão há mais de 80 anos, caso do tombamento da Fazenda do Viegas, em Senador Camará, Zona Eeste da cidade. "Tal situação gera insegurança jurídica e deixa sem proteção federal bens integrantes do patrimônio histórico nacional, como é o caso do edifício sede da Cruz Vermelha", afirmou o procurador.