O jardineiro que descobriu a corrida aos 52 anos

Dionízio Nobre vive em Teresópolis e treina todos os dias: “é como se antes estivesse na beira de um precipício”, diz Na volta desse breve recesso, quero compartilhar algumas histórias de pessoas que não são celebridades ou influenciadoras digitais, nem costumam frequentar as manchetes do noticiário. No entanto, todas têm o que nos ensinar sobre como envelhecer com alegria, propósito e amor à vida. Hoje e nas próximas três colunas, vocês vão conhecer e se encantar com as trajetórias de Dionízio, Carmem, Carlos e Shirley. Dionízio Nobre e as montanhas da Região Serrana do Rio: a descoberta da corrida aos 52 anos Acervo pessoal Dionízio Nobre se lembra bem do seu primeiro “serviço”: levar marmitas para os peões da fazenda. Com apenas 7 anos, equilibrava oito de cada lado – empilhadas, quase tocavam o chão. “Às vezes encostavam nas minhas pernas e me queimavam”, recorda. Mineiro de Manhumirim, foi com 17 anos que aprendeu a escrever seu nome. Tornou-se operário numa fábrica de banheiras de hidromassagem e a jardinagem surgiu como um bico para complementar a renda, mas a mão boa para lidar com plantas transformou a atividade em sua principal fonte de renda. Em Teresópolis, cidade da Região Serrana do Rio de Janeiro onde mora, ainda é vigia noturno num condomínio, numa escala de 12 horas de trabalho por 36 de folga. Cansado para fazer qualquer outra coisa? Aos 55 anos, abre um largo sorriso para falar da sua paixão: correr. Treino de 15 a 20 quilômetros de corrida por dia Acervo pessoal Ele comemorou o aniversário, em abril, no topo da principal montanha que compõe as Torres de Bonsucesso. São três: Ferro de Passar Roupa, Torre Central e Torre Maior, no Parque Estadual dos Três Picos, no quilômetro 28 da estrada que liga Teresópolis a Friburgo. No entanto, há três anos, pesava 96 quilos, 30 acima do que deveria. “Num determinado dia, estava sentado e, quando me levantei, fiquei zonzo. Foi quando decidi começar a caminhar e foi o que fiz: foram oito quilômetros. Naquele dia e nos seguintes. Em poucos meses voltava ao meu peso normal”, conta. Na verdade, foi muito além, tanto que Dionízio já alcançou a marca de 61.5 km de corrida, o que o coloca na posição de ultramaratonista. Integra a Equipe TereRun e treina com os demais integrantes três vezes por semana. Nos outros dias, costuma correr de 15 a 20 quilômetros sozinho, antes de começar a trabalhar – e também pedala. O próximo objetivo é, depois das chuvas de verão, fazer a travessia Petrópolis-Teresópolis, um clássico nacional de caminhada e montanhismo. Com 28 quilômetros de percurso, o trajeto normalmente é feito em dois ou três dias, mas o grupo quer completá-lo em 24 horas. Trajeto de 75 quilômetros de bike Acervo pessoal Vive com a mulher e os filhos mais novos, Mayara, de 21, e Madyson, de 12, e se descreve como um outro homem, que se alimenta e dorme melhor. “É como se antes estivesse na beira de um precipício. Comecei a caminhar e, depois, a correr, sempre com a ideia de chegar a algum lugar. É o que me leva adiante. Nem uso fone de ouvido porque quero ouvir os sons da natureza e, de repente, descobrir o canto de um pássaro que não conhecia. Temos o paraíso ao nosso alcance”, ensina. Dionízio num dos jardins sob sua responsabilidade em Teresópolis, no Rio de Janeiro Mariza Tavares

O jardineiro que descobriu a corrida aos 52 anos

Dionízio Nobre vive em Teresópolis e treina todos os dias: “é como se antes estivesse na beira de um precipício”, diz Na volta desse breve recesso, quero compartilhar algumas histórias de pessoas que não são celebridades ou influenciadoras digitais, nem costumam frequentar as manchetes do noticiário. No entanto, todas têm o que nos ensinar sobre como envelhecer com alegria, propósito e amor à vida. Hoje e nas próximas três colunas, vocês vão conhecer e se encantar com as trajetórias de Dionízio, Carmem, Carlos e Shirley. Dionízio Nobre e as montanhas da Região Serrana do Rio: a descoberta da corrida aos 52 anos Acervo pessoal Dionízio Nobre se lembra bem do seu primeiro “serviço”: levar marmitas para os peões da fazenda. Com apenas 7 anos, equilibrava oito de cada lado – empilhadas, quase tocavam o chão. “Às vezes encostavam nas minhas pernas e me queimavam”, recorda. Mineiro de Manhumirim, foi com 17 anos que aprendeu a escrever seu nome. Tornou-se operário numa fábrica de banheiras de hidromassagem e a jardinagem surgiu como um bico para complementar a renda, mas a mão boa para lidar com plantas transformou a atividade em sua principal fonte de renda. Em Teresópolis, cidade da Região Serrana do Rio de Janeiro onde mora, ainda é vigia noturno num condomínio, numa escala de 12 horas de trabalho por 36 de folga. Cansado para fazer qualquer outra coisa? Aos 55 anos, abre um largo sorriso para falar da sua paixão: correr. Treino de 15 a 20 quilômetros de corrida por dia Acervo pessoal Ele comemorou o aniversário, em abril, no topo da principal montanha que compõe as Torres de Bonsucesso. São três: Ferro de Passar Roupa, Torre Central e Torre Maior, no Parque Estadual dos Três Picos, no quilômetro 28 da estrada que liga Teresópolis a Friburgo. No entanto, há três anos, pesava 96 quilos, 30 acima do que deveria. “Num determinado dia, estava sentado e, quando me levantei, fiquei zonzo. Foi quando decidi começar a caminhar e foi o que fiz: foram oito quilômetros. Naquele dia e nos seguintes. Em poucos meses voltava ao meu peso normal”, conta. Na verdade, foi muito além, tanto que Dionízio já alcançou a marca de 61.5 km de corrida, o que o coloca na posição de ultramaratonista. Integra a Equipe TereRun e treina com os demais integrantes três vezes por semana. Nos outros dias, costuma correr de 15 a 20 quilômetros sozinho, antes de começar a trabalhar – e também pedala. O próximo objetivo é, depois das chuvas de verão, fazer a travessia Petrópolis-Teresópolis, um clássico nacional de caminhada e montanhismo. Com 28 quilômetros de percurso, o trajeto normalmente é feito em dois ou três dias, mas o grupo quer completá-lo em 24 horas. Trajeto de 75 quilômetros de bike Acervo pessoal Vive com a mulher e os filhos mais novos, Mayara, de 21, e Madyson, de 12, e se descreve como um outro homem, que se alimenta e dorme melhor. “É como se antes estivesse na beira de um precipício. Comecei a caminhar e, depois, a correr, sempre com a ideia de chegar a algum lugar. É o que me leva adiante. Nem uso fone de ouvido porque quero ouvir os sons da natureza e, de repente, descobrir o canto de um pássaro que não conhecia. Temos o paraíso ao nosso alcance”, ensina. Dionízio num dos jardins sob sua responsabilidade em Teresópolis, no Rio de Janeiro Mariza Tavares